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2022-03-01
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A surdez é compreendida a partir de dois discursos ¿o clínico-terapêutico e o socioantropológico. Estes diferentes saberes, em que também se misturam práticas de poder, se reverberam nas políticas voltadas para os surdos. O artigo objetiva realizar uma análise genealógica da surdez, ou seja, das práticas de saber e poder, na política de saúde brasileira. É uma pesquisa qualitativa, documental, que se baseia em pressupostos teóricos de Michel Foucault. Foram selecionados 13 documentos normativos e 10 informativos, assim como realizadas oito entrevistas semiestruturadas, com amostra não probabilística, utilizando-se a técnica bola de neve. A análise mostrou que as políticas de saúde voltadas às pessoas com deficiência auditiva são efeito das relações de poder e saber existentes no campo da surdez, no qual o discurso médico-patológico, que concebe a surdez como uma deficiência a ser corrigida, é tido como o discurso verdadeiro. O discurso socioantropológico, que reconhece o surdo pelo olhar da diferença e pelo uso da língua de sinais, é um discurso sujeitado, que não tem encontrado espaços na política de saúde. Foram colocados em evidência os contrassensos entre as conquistas ligadas ao acesso às tecnologias e as proposições do setor saúde, cuja política direciona suas ações exclusivamente para o alcance de uma norma ouvinte, desconsiderando a multiplicidade dos sujeitos surdos.
Article
Versió publicada
Portuguès
Sordesa; Política sanitària; Genealogia; Brasil; Deafness; Medical policy; Genealogy; Brazil
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Reproducció del document publicat a: https://doi.org/10.1590/1413-81232022274.09142021
Ciência & Saúde Coletiva, 2022, vol. 27, num. 4
https://doi.org/10.1590/1413-81232022274.09142021
cc-by (c) Garcia Vianna, Nubia et al., 2022
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/